Indonésia. 17 mil ilhas. Um amor.

Muito foi questionado. Tanta coisa foi revista! Há tanto a se aprender. Pouco menos de um mês e muitas certezas foram parar no banco dos réus. A vida e suas inquestionáveis surpresas rolando solta, e tensa. Num constante alternar de altos e baixos. De idas e vindas. De aconchego e solidão. De certezas e dúvidas. De apego e desapego. De sim e de não. Como as ondas do mar, os dias.

A beleza estonteante de um dos lugares mais lindos do mundo misturando-se com um lado de dentro que busca reinventar-se. As águas em tons azul turquesa colorindo o questionar, o crer e o duvidar. O sol a pino queimando um coração que arde. Que acredita. Que pena, mas que vive! O sorriso branco das crianças de pele marrom que gritam “hello”, traz a certeza do agora, única que se tem. Um por do sol mais lindo que o outro que sempre vem para escancarar a beleza da vida. E então enormes pipas no céu brincam no entardecer como meninos na areia. E a brisa fria que finda o dia acalma um mal entendido qualquer. A comida divina, acolhe, acalma. O frio da noite abriga e aproxima corações tão próximos e tão distantes.

Indonésia e suas praias de areia branca. Areia preta. Areia rosa. Encanta! E irradia uma energia tão boa que contagia até o mais ausente de si mesmo. Provando que há lugares mágicos neste planeta. Lugares que fazem um dia ruim valer a pena, e dias bons, inesquecíveis! Com seus deuses. Seus budas. Suas mesquitas. Confirma que é sim possível encontrar união na diferença. E também paz. E harmonia. Inspirando a busca pelo sim. Incontáveis chances ao entendimento e ao amor que nasce, inconsequente. Aqui, olha-se ao redor e não se sabe, mas se tem certeza de que a vida sempre valerá a pena. Do jeito que vier. Do jeito que tem que ser. Aqui, depois do mais belo por do sol, tem-se também a certeza de um nascer do sol quiçá ainda mais belo. Abençoado recomeçar! Aqui o improvável acontece e o amor, reside.

 

Trilha sonora: Seu Jorge em Oh! You pretty things

indonesia | bali | agosto | 2014

O amor em espanhol

Lá se iam seis horas de Skype e eles não estavam entendiados nem pareciam cansados. Eu, que já tinha ido e vindo algumas vezes, maravilhada! Deslumbrada com tanto amor, tanto interesse. Tanto assunto! Ah, o amor… Eu já nem lembrava que o amor também era isso. Nos faz bobos mas felizes. Andava lembrando que nos fazia bobos e me repreendi por ser pessimista. Incrível como às vezes temos mesmo que ser postos cara a cara com uma grande babaquice para recobrar a razão, o valor, a alegria. Incrível como quando ficamos cara a cara com o amor dos outros nos lembramos do quão lindo é quando vivemos o nosso próprio.

Mais de seis horas de amor em espanhol. Como este idioma me encanta! Existe lingua que fale de amor de uma forma tão intensa e sensual como espanhol? Não me venham falar de francês! Francês pode ser romântico, mas não causa a mesma inquietação que o amor falado em espanhol. E aqui do meu lado, existia muito amor. E em espanhol. Duas pessoas abertas e dispostas a tudo. A seis, oito horas de Skype. A meses de uma distância de milhares de kilômetros. Incansáveis amantes.

Gestos em frente a câmara do iPad. Sorrisos. Cabelos para lá, para cá. Gargalhadas. É tão bonito que assusta. Como podemos ficar assim tão expostos e vulneráveis frente ao que sentimos por alguém que esta a dois oceanos de distância? E podemos. Não todos. Nem todos estão dispostos a se abrir e a se entregar. Os “fortes” não conseguem. Mas esta entrega é linda. É lindo se permitir viver isso. Expõe nosso melhor, nosso pior, nossos medos e fraquezas. Tudo ali de bandeja em cada sorriso. Em cada “te extranho” um rio de sentimentos, desejos, planos não confessados. Em cada “te quiero” uma esperança secreta de que este amor prospere. Não prestava atençao. Não era preciso ouvir para saber. Sentía-se. Contagiava. Para homenagear este romance fecho meus olhos, coloco um sorriso largo lá no fundo, Jorge Drexler em meus ouvidos, e sou feliz.

Trilha sonora: Jorge Drexler em Rio Abajo