Visualizando e Respondendo. Na contramão do mundo.

Eu quero visualizar e responder.

Eu quero falar e ser ouvida.

Eu quero ouvir e retornar.

Eu tento pensar nestas frases e encontrar o que há de tão démodé nelas. Eu tento entender como é que algo tão primário, básico, pode ter virado motivo de memes constantes nas redes sociais. Eu quero dar risada junto só que eu não consigo. Não. Mentira! Eu consigo. Eu consigo dar risada junto porque eu não sou uma antissocial, porque alguns memes são mesmo engraçados, mas sobretudo porque eu não posso chorar e discorrer toda hora sobre a profunda e crescente tristeza que eu sinto ao observar a ridicularização do respeito ao próximo. Do mínimo respeito ao próximo.

Só que hoje eu resolvi escrever sobre isso.

Esses dias eu vi um post quem mostrava uma garota com o celular na mão e a frase “o namorado acabou o relacionamento de quatro anos pelo Whatsapp”, destacando como as pessoas hoje em dia evitam o contato e tentam resolver situações difíceis de forma impessoal e cômoda. Tenho certeza (e quero acreditar!) que a maioria das pessoas concorda que dispensar alguém assim é horrível. Havia uma relação e era longa. Mas por que as demais pessoas com as quais convivemos, do dia a dia, que entram e às vezes passam pouco tempo ou significam pouco na nossa caminhada, na nossa rotina atribulada, não merecem também serem ouvidas e respondidas? Não são todos pessoas? Se podemos ler, porque não podemos também responder? Não quero entrar no mérito da velocidade da resposta. É um bom tema quando tudo é tão rápido e volúvel como nos dias atuais. Quero apenas me ater a isso de ignorar o outro – e pior: se gabar de ser o fodão ou a fodona que faz isso. Gente. Pelo tanto de memes e coisas que escuto (e vejo com meus próprios olhos), isso virou moda. É a tendência: enchi o saco, vejo que tô por cima, acho a pessoa chata? Pronto. É visualizar e não responder na lata. É a geração e  comportamento Tinder ditando a decadência da relação banal. Não basta mais ser superficial, tem que ser babaca.

Bom. Eu sigo na contramão. Eu quero visualizar e responder. Nem que seja para dizer não, tchau, chega. Eu quero ser visualizada e respondida. Nem que seja para receber um não, tchau, chega. Eu quero saber que as pessoas vão ter alguma clareza do que eu penso e sinto. E eu quero ter alguma clareza do que as pessoas pensam e sentem. Eu não quero manipular ninguém com meu silêncio, por ele não ser claramente a continuação de algo que foi visualizado, pensado, sentido e respondido por mim, mas sim reticências a serem interpretadas e quiçá distorcidas posteriormente pela minha própria conveniência ou necessidade. Não quero isso para ninguém nem para mim. Eu quero sempre dar um passo atrás antes de deixar me levar por qualquer sentimento mesquinho ou passageiro (ou quem sabe infantil) e considerar minimamente o outro. E quero que me considerem. Eu não quero deixar as pessoas esperando uma resposta fazendo de conta que o silêncio é sempre óbvio e esclarecedor, sendo que ele não é. Eu não quero que me façam sentir mal, nem perder tempo analisando (e indo quem sabe pelo caminho errado), na tentativa de entender a ausência de resposta. Eu não quero deixar ninguém perdido propositalmente. E não quero que me deixem.

Claro que vão deixar. Hoje em dia este é o caminho que as relações sobretudo afetivas estão tomando. Tudo bem. Eu ficarei confusa ou triste ou até mesmo com raiva. E vai passar porque a vida segue. Mas isso não muda em nada o fato de eu querer me manter no contra-fluxo. Eu continuarei visualizando e respondendo. Lembrando que há um ser humano do outro lado. E considerando que as pessoas são de carne e osso – e emoções. Eu ainda vou, sempre e em primeiro lugar, acreditar que as pessoas são sinceras e se importam com o próximo. Até que elas me provem o contrário – mesmo que seja com um “visualizado e não respondido”.

Anúncios

Há que se acreditar

O que realmente significa acreditar em si mesmo? É ouvir nosso coração? Seguir nossa razão? Ambos de forma “balanceada” para recebermos então o troféu de pessoas felizes e bem-sucedidas? Como fazer isso quando vivemos imersos num mundo no qual as informações inúteis prosperam, em que há receita para qualquer-mínima-coisa-que-se-possa-imaginar (e em vídeo com qualidade HD), e os padrões a serem seguidos são idolatrados e escancarados na nossa “timeline”? Como é que se acredita em si mesmo quando mal se consegue se ouvir?

Eu conheço muitas pessoas que estão “surdas de si mesmo”. Eu passei muito tempo assim.

Tenho transitado por “mundos” distintos. Em todos eles encontro pessoas sendo conduzidas por uma espécie de “necessidade de cumprir” para poderem se sentir bem. Não falo dos prazos e metas do dia a dia em si, aqueles que fazem parte das atividades corriqueiras, mas de algo interno. Uma cobrança pessoal. Cada um está diariamente lutando uma batalha solitária para poder se sentir realizado – e quem sabe finalmente livre e feliz. É uma luta mesmo. Os rostos se contraem. A energia é pesada. Afinal, custa um monte tentar provar coisas, ser coisas, conseguir coisas. Coisas essas que não são parte do que somos. Sei bem o que é isso – é um fardo pesado e cruel.

Mas por que nos permitimos carregar um peso que não é nosso? Antes disso. Por que não conseguimos nem perceber que carregamos estas toneladas de regras e moldes e metas que não são parte de nós? Antes ainda. Por que fomos aprendendo que viver para provar algo é a forma certa de viver? Não falo só do viver para provar algo para alguém, mas para si mesmo. Por que temos que provar alguma coisa? Nascemos devendo algo que precisa ser ressarcido ao longo da vida com dor e esta espécie de luta interna, que nos tira a leveza e o amor genuíno, para quitarmos uma dívida?

Acredito que precisamos aprender a acreditar em nós mesmos. Acredito que isso, que deveria ser o óbvio e nos acompanhar por toda a vida, precise ser reconquistado por muitos de nós. Não é o acreditar que se pode emagrecer 5 kg em 1 mês, aprender inglês em 1 ano ou juntar a grana para finalmente comprar um carro. Mas se perguntar por qual razão você precisa fazer tudo isso. É difícil, mas é preciso discernir o que é nosso e o que é “do mundo”. E o que é do mundo é apenas uma opção. Sempre. E o mundo é cheio, abarrotado de opções! É preciso acreditar, antes de qualquer coisa, que somos tudo o que precisamos ser neste momento – sempre foi assim. Sempre fomos o nosso melhor. Sempre soubemos o que era preciso saber. Sempre tivemos a força que precisávamos ter. Naquele momento. Mesmo quando achamos que fomos fracos, fomos o nosso melhor naquele momento. E em todos os momentos é assim: somos sempre o melhor que podemos ser agora, e não precisamos nos exigir ainda mais do que o mundo em si já nos exige.

Acreditar em si mesmo, para mim, é entender que não existe um modelo de você melhor do que você é agora. É estar numa tal sincronia com a vida e seus ciclos, que tudo o que se faz e é naturalmente te levam a se tornar um novo alguém – que você pode até achar que é melhor, mas é apenas uma nova versão de você mesmo. Acreditar em si mesmo é se aceitar e se fazer o melhor. É respeitar a si mesmo cuidando do seu corpo, das suas emoções e dos seus pensamentos. Quem acredita em si mesmo consegue respeitar o acreditar em si mesmo do outro. Sabe que o outro é o melhor que ele pode naquele momento, e não tenta parecer melhor ou impor a sua visão. Quem sabe se crer deixa o outro ser o que pode. Aceita cada um como é mesmo que isso implique em despedidas dolorosas.

Acreditar em si mesmo, para mim, também é não se comparar com o outro nem com uma ideia imaginada de si mesmo. É confiar que tudo está seguindo o caminho certo para sua evolução. Que não é preciso se exigir ser algo que lhe é pesado demais. Quando algo é parte de nós ou da nossa caminhada, algo é parte de nós ou da nossa caminhada e ponto! Há encaixe. Há leveza. Há amor. Há sincronicidade. Há compreensão. Flui. Não precisamos franzir a testa, erguer a voz, chacoalhar diplomas, iniciar uma guerra ou fazer promessas: acreditar em si mesmo é baixar a guarda, respirar fundo e deixar a intuição ditar o caminho. É acreditar que uma sabedoria maior (divina, para alguns) existe e que podemos acessá-la a cada pequeno passo, a cada piscar de olhos e em cada pequena decisão ou atitude. É acreditar que se pode ser feliz, que se merece ser feliz, que já se é feliz.

Quem acredita em si sente a vida e se aceita. E quem se aceita é feliz ❤

O dia que eu acreditei e fiz um headstand 🙂