Quantas respostas deixamos passar?

Sempre que vivenciamos um momento de dúvida, é comum nos concentrarmos em pedir constantemente (ao Universo, à Vida, a Deus) alguma espécie de luz, que nos guie na direção correta e nos tire daquele mar de incertezas que nos rodeia.

E as respostas que precisamos nos são dadas. De várias formas. Sempre!

A questão é: o quanto estamos conectados e disponíveis para absorver estas respostas? Quantas vezes em algum momento de grande serenidade e introspecção temos a nítida certeza que sabemos o que deve ser feito e, momentos depois, arrastados pelo cotidiano, começamos (novamente) a duvidar? Quantas vezes deixamos que a maneira condicionada que olhamos as coisas venha e boicote algo que, há pouco, tínhamos uma profunda convicção de ser a resposta que buscávamos?

Quanto mais habitamos o nosso próprio existir, menos deixaremos respostas nos escaparem (e menos duvidaremos delas!).

Quanto mais momentos de conexão com nosso Eu maior (e Universo, Vida, Deus), mais contato teremos com a chamada “intuição”, e mais ela nos estará disponível.

Sempre podemos optar por olhar estes momentos de grande indecisão, ou situações que nos desafiem demais, como sendo a própria vida (Universo, Deus) nos colocando à prova. Porque você pode apostar: há alguma lição importante a ser aprendida ali! Se não tivermos plena atenção vamos recriar e repetir estas lições de várias formas, indefinidamente, até que aprendamos. Precisamos responder estes desafios do ponto mais alto que nossa consciência pode chegar e, portanto, precisamos estar atentos a quem somos. Quanto mais desconectados mais dúvidas temos, e quanto mais dúvidas, mais perguntas criamos.

(Sim, é aqui que todas as formas de ajuda para buscar o autoconhecimento (meditação, oração, yoga, terapias.. para citar algumas) entram e nos facilitam um pouco o processo – que é individual, um tanto solitário e intransferível!).

E para mim, meus queridos, é no desvendar desta forma de caminhar e no habituar-se a caminhá-la que mora uma parte incrivelmente linda disso tudo que chamamos de vida ❤

Quando alguém sinceramente faz uma pergunta ao universo e então recebe uma resposta inequívoca, é útil lembrar o contexto e o estado de espírito em que tudo se desenrolava. Muito provavelmente ocorreu numa espécie de espaço sagrado onde a consciência se elevou acima dos pontos de vista confusos e conflitantes da mente limitada. Este nível de visão unificada pretende dar uma visão do objetivo, mas, infelizmente, este estado de consciência muitas vezes não é sustentável. Então, semanas depois, incorporado uma vez mais no contexto da mente limitada, é fácil duvidar da resposta que se obteve. Mas quando você estava naquele estado de conexão com seu EU superior, não havia dúvida! Duvidar é o que a mente condicionada faz, ela não fornece orientação, visão ou respostas. Deixe que parte de você que duvida, duvide, mas não a leve tão a sério ou nem a use para transmitir com precisão o seu propósito e direção na vida. Você deve confiar na experiência do seu EU superior. Deepak Choopra

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Cada um, cada um.

Uma das coisas que me marcou muito quando comecei (de forma consciente) esta jornada de busca pelo autoconhecimento, foi quando me deparei e refleti de forma profunda sobre não sermos o que fazemos, o que pensamos e nem o que pensamos que somos. Num primeiro momento isso me deixava de alguma forma confusa e quase sem chão. Como era possível eu não poder me definir pela minha profissão, faculdade que fiz, países que visitei, gostos, qualidades e até defeitos? O que sobraria além disso tudo? Como as pessoas me reconheceriam, gostariam ou deixariam de gostar de mim?

Apesar de hoje tudo estar infinitamente mais claro, ainda sim me vejo caindo nas armadilhas que toda esta crença do “quem eu sou” traz. Fomos criados para conquistar uma posição e assumirmos o “nosso lugar”. Para estabelecer e cumprir metas. E tudo isso traz junto uma facilidade incrível de querer transferir estas nossas expectativas e forma de enxergar o mundo quando olhamos ao nosso redor. Estamos tão enquadrados que queremos enquadrar todo mundo conforme o “padrão” que acreditamos ser o modelo correto. Esquecemos que somos nós que criamos a realidade que vivemos, e que cada um tem sua forma de enxergar uma mesma situação.

Somos um banco de dados imenso e pronto para tachar cada pessoa, atitude ou situação. Temos pronto o conceito do que é certo ou errado. Bom ou ruim. Aceitável ou não. Regras. Recomendações. Críticas. Inconscientemente saímos com nosso carimbo catalogando tudo e todos – e a maior parte do tempo nem percebemos que fazemos isso.

Um dermatologista não deveria ter manchas na pele ou muitas rugas. Um nutricionista não deveria estar acima do peso. Um pneumologista não deveria fumar. E por aí vão generalizações e críticas. Estou enganada ou é extremamente comum ouvir coisas deste tipo? Claro que ninguém pensa muito quando faz este tipo de comentário. Não pensa no impacto de suas palavras, que mesmo não proferidas diretamente para o alvo, são lançadas e acabam tendo algum efeito, seja em outras pessoas, seja no clima que se cria ao redor da conversa.

“Você precisa ir além dos seus pensamentos para perceber que, ao interpretar sua vida ou a vida e o comportamento dos outros, ao julgar qualquer situação, você está expressando apenas um ponto de vista entre muitos possíveis. Suas opiniões e pontos de vista não passam de um punhado de pensamentos. Mas a realidade é outra coisa. Pensar fragmenta a realidade, cortando-a em pequenos pedaços, em pequenos conceitos” | Eckhart Tolle

Talvez se formos um pouco mais conscientes na hora de emitir nossas impressões, pudéssemos pensar que talvez um dermatologista com manchas ou muitas rugas não se importe tanto com sua aparência, e que estar saudável lhe seja suficiente. Talvez um nutricionista acima do peso esteja passando por algum distúrbio hormonal ou tenha algum problema emocional que lhe impeça de emagrecer (ou ainda nem queira emagrecer!), mas que isso não afeta seus conhecimentos e capacidade de ajudar você a emagrecer. Claro que é muito mais fácil julgar e desconfiar da credibilidade de pessoas que não se encaixam nos modelos que inconscientemente julgamos como corretos.

Desde que comecei a me envolver com yoga e meditação, passei a ter uma maior percepção do quão fundo este comportamento está enraizado na maioria de nós. Por diversas vezes me vi julgando e criticando. E por diversas vezes também fui confrontada com os modelos que as pessoas em geral têm do que é ser instrutora de yoga ou estar no dito “caminho espiritual” (claro que isso já acontecia quando eu atuava como engenheira, mas eu estava tão no automático que nem me dava conta). Como sou apenas uma caminhante, algumas vezes aceitei de coração aberto, outras, me magoei. Afinal, se eu não tivesse mais que lidar com meu ego, provavelmente eu seria iluminada ou já até teria deixado este corpo!

“Não julgue o processo espiritual de alguém pelo seu comportamento. O crescimento espiritual está além dos modos do corpo e da mente” | Sadhguru

O que me alegra é que desde que comecei minha jornada, mais facilmente reconheço estas armadilhas. Independentemente de qual tenha sido minha atitude ou resposta numa determinada situação, ao fazer uma análise muito mais facilmente noto a presença do sr. ego ali. Aceito que não posso agradar a todos, que tenho limitações, que sou (e serei sempre) uma aprendiz. Também sei que o fato de não poder me encaixar no modelo de cada um não impede que eu consiga transmitir conhecimento e abrir um caminho que não é meu, mas que também estou trilhando.

Cada um tem o direito, claro, de manter sua opinião e preferência. Podemos sempre escolher outro médico, outra escola, outra cidade, outra roda de amigos. Podemos simplesmente nos afastar do que achamos não ser o melhor para nós, ou de algo que nos seja difícil de entender ou aceitar, mas podemos também ter consciência do porquê. E de que este nosso porquê não é necessariamente o certo. Podemos tentar perceber quando estamos apenas sendo um reflexo do que acreditamos!

No pouco que já aprendi neste caminhar, vi que expandir nosso poder de percepção traz ENORME liberdade (de aceitar quem somos) e empatia (de aceitar que os outros sejam quem eles são). Perceber o quanto somos dominados pelo que é esperado de nós e do que deveríamos esperar do mundo; perceber o quanto nossos pensamentos, seguidos de nossas palavras, podem se equivocar ao julgar o outro quando usamos apenas o que nós mesmos catalogamos como sendo correto… perceber tudo isso é fazer uma grande mudança interior!

E são as mudanças que fazemos no nosso interior que podem mudar a nossa realidade.

Não consegui pensar em melhor trilha sonora que “Não enche” do Caetano 🙂