Cheiro de mudança

Sinto o cheiro de mudança. Sinto alguns ciclos se encerrando para dar espaço a algo novo que por certo virá. A vida é de incertezas, sobretudo nesse momento, mas esses últimos três anos fizeram muito por mim e eu, por eles. A gente vai envelhecendo e junto nossa relação com o tempo vai mudando. E com os ciclos. E com a vida.

Nunca estive tão tranquila frente à percepção de que algo novo emerge, como agora. Nunca notei tão bem os sinais que finais de ciclos vêm anunciando, como agora. Que coisa maravilhosa poder perceber os pequenos alertas que antecedem o novo! Nada muda de uma hora para outra. Tudo se anuncia.

E sem saber me preparei para esse momento que ainda não sei qual é. Hoje entendo claramente que se permitimos e dermos abertura, a vida nos prepara para tudo que virá.

Essa noite passei horas olhando fotos do ano em que estive na Ásia e me emocionei, mais uma vez, lembrando daquela Maria. Que alegria ela ainda me dá ainda agora que 2014 está longe – e habita um outro local em mim. Um local que não é nem melhor nem pior. É diferente. Como uma nova viga. Um refúgio. Um alento. Uma fonte de alegria e inspiração! Um lugar que posso visitar também para refletir em momentos de dúvida ou medo. Um lugar que posso visitar para evitar decisões ruins. Um lugar que me fornece incontáveis lições. Incontáveis!

Sinto o cheiro de mudança. Não tenho a menor ideia do que a vida me reserva, mas estou feliz com o que sou e serei.

Sinto o cheiro de mudança. Não tenho a menor ideia do que a vida me reserva, mas estou em paz.

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Solta a barra! Solta a vida!

Não sei fazer kite, mas de tanto ouvir falar sei que numa situação que algo não vai muito bem o melhor conselho é “solta a barra!”. Já a nossa tendência, por instinto, é sempre se agarrar (à barra ou) a algo que nos remeta à segurança. Fisicamente e emocionalmente queremos nos segurar em algo conhecido e que pareça firme quando estamos passando por alguma “turbulência”. E se agarrar demais não dá certo, tanto no kite quanto na vida.

Aqui em Gostoso a lição, no kite e na vida, é SOLTAR.

Soltar desta nossa falsa percepção de que temos controle sobre muita coisa na vida. Não temos! É preciso confiar no fluxo da vida ou do vento. E não há garantias na vida e no vento. Se houvesse não estaríamos todos aqui incrédulos há 15 dias praticamente sem vento e sem sol na melhor época do ano, conhecida justo por ter muito sol e muito vento.

Cheguei em Gostoso sem muitas expectativas, mas tomada de uma impensada e inocente ilusão de que tudo seria (impossível evitar usar!) gostoso. E não foi. Nem tudo está sendo gostoso por aqui, mas está sendo lindo.

Lindo porque é preciso enxergar a beleza nas lições que vem com o inesperado da vida. Com a falta de vento. Com a falta de sol. Com decepções. Com “piriris”. Com coisas de cidade pequena. Com despedidas. Nem só de sorrisos sol e vento se faz Gostoso. Viver em Gostoso requer um amor profundo à vida e a si mesmo! E a gente está cansado de saber que o amor também dói.

E quanto mais apego mais dor. E a lição é SOLTAR E SE SOLTAR.

É preciso se soltar porque não há como entrar em ressonância com a vida quando se está enraizado a expectativas, escolhas, ideais. É preciso fluir. É preciso aceitar. É preciso fechar os olhos e entrar no ritmo se você quiser transcender este monte de pequeneza que carregamos dentro.

Mais uma vez sou grata a este meu caminho que mais me abre os olhos que passa a mão na minha cabeça.

Gostoso às vezes é sim muito gostoso!

Mas o maior valor daqui é que Gostoso é a vida. Nua e crua. Real. Como tem que ser.

São 11h41. Estava chuvoso e então o sol apareceu ❤